O equinócio e a dinâmica da vida

Não sei se todos sabem, mas o dia de hoje é chamado de “equinócio” de março que, no hemisfério sul, corresponde ao equinócio de outono.
O equinócio é o dia em que os períodos do dia e da noite são exatamente iguais em termos de tempo. Temos a mesma quantidade de tempo com luz e de tempo sem luz. Isso se deve à posição da terra em seu traslado em torno do sol e da sua inclinação em função de seu eixo.
Apesar de nossa cultura ocidental, capitalista e pseudocientífica ser tão distanciada dos simbolismos, datas como a de hoje trazem sempre à reflexão os temas que se referem ao mundo não-material, dos valores e dos significados, das qualidades e virtudes.
Hoje, o dia indica um perfeito equilíbrio, uma igualdade entre luz e trevas, uma eqüipolência. Como se o jogo entre estas forças que nos constituem entrassem num equilíbrio de potências e estabelecessem um breve período de paz e repouso.
Uma mostra de que situação de equilíbrio é possível, é real, mas,ao mesmo tempo, na natureza de tempo-espaço, é transitória, passageira. Um estágio apenas, não uma chegada. Nesta dimensão de imperfeição, o desequilíbrio é necessário para gerar movimento, para gerar dinâmica. Esta dinâmica aparece na própria vida, em especial na vida consciente, que somos nós, os humanos.
O equinócio é uma passagem. Há o equinócio de outono e o de primavera. Quando chegamos ao equinócio de outono, estamos caminhando em direção ao solstício de inverno, que é a noite mais longa do ano. Quando estamos no equinócio de primavera, estamos a caminho do dia mais longo do ano.
Assim, de estágio em estágio, do equilíbrio à dominância ao equilíbrio novamente, a natureza nos indica como funciona nossa própria humanidade, nossa condição de animal autoconsciente. Os ciclos estão aí para nos fornecerem a dinâmica da vida. O que vamos extrair daí, nem a natureza pode definir para nós pois isso já pertence ao âmbito do livre-arbítrio, esse privilégio e essa carga que nos cabe nessa existência.