A web pode nos livrar da má política?

Hoje esteve pensando algo que parece alentador, apesar de utópico. Ainda.

A gente anda tão indignado e enojado com a podridão e a impunidade nos âmbitos da  ação dos políticos, estes sanguessugas do povo e do estado, que comecei a me perguntar por que chegamos a este modelo representativo que está vigente no Brasil.

Sim, a democracia representativa tem toda uma história. Basta ir aos livros para conhecê-la. Mas, nem estou preocupado aqui em voltar ao passado. Estou olhando para frente.

Hoje, temos que dar nosso voto a alguns políticos que nos são apresentados como nossas opções para conduzir o país no âmbito do Legislativo e do executivo. Parece até democracia. A questão é o como se chega a estes nomes que nos são apresentados. Depois, em especial no caso do Legislativo, estas pessoas passam a ter procuração em branco para falar em nosso nome quando das discussões e votações no Congresso, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores.

Aí eu me perguntei. Por que é mesmo que eu preciso de um representante?  Já nem me lembro mais. E me perguntei também: Por que é que não posso me representar a mim mesmo? Por que é que preciso que um partido fale em meu nome e esteja entre mim e a votação de qualquer coisa?

Por que é que não posso agir e me representar a votar diretamente nestes âmbitos?

Por que é que cada um de nós não pode se representar a si mesmo? Eu não me sinto representado por nenhum partido e, absolutamente, por nenhum destes eleitos.

Se a resposta for simplesmente de que não é possível “NA PRÁTICA” que cada cidadão se manifeste no plenário, aí é que me ocorreu que a tecnologia que está disponível já hoje em dia, dos sistemas colaborativos da web 2.0, apresentam um cenário em que a tecnologia nos poderia liberar deste modelo já tão corrompido.

Se já podemos votar em forma eletrônica, se podemos enviar nossa declaração de imposto de renda, fazer tantos procedimentos burocráticos via internet, então, é possível visualizar um cenário em que prescindiremos destes intermediários políticos e possamos propor, debater e votar temas que sejam do interesse da comunidade, do bairro, da cidade, do estado e do país.

Aí sim, provavelmente, teremos a equação “um cidadão, um voto” valendo na sua plenitude. Discursos podem ser feitos em vídeo para web. Debates podem ser registrados via sistemas de fórum. Partidos podem ser criados via ferramentas colaborativas. Votações podem ser feitas e garantidas via certificações digitais.

Um cidadão, um agente político direto, um voto.

Quem sabe?

Os que entendem melhor tanto de política quanto de tecnologia podem, por favor, me dizer onde estou enganado, mal informado ou mesmo ingenuamente errado. Vão me ajudar a entender melhor esta idéia. Acho que vale a pena ao menos debater por que ela me parece promissora.

Já imaginou um país sem os Legislativos atuais? Sem dólar na cueca, na meia, sem oração da propina, sem serem desviados para fazendas no sertão, para castelos, fundações de família, mensalões, etc, etc., infindáveis etcs.?

Que a nossa indignação nos mobilize e que a tecnologia nos ajude.