Tudo novo no ano novo?

Em nossos cumprimentos habituais nessas épocas festivas, desejamos uns aos outros “feliz ano novo”. Sabemos que essas festas se repetem ciclicamente. Os ciclos e as rotinas nos conferem certa segurança diante do universo, certa esperança de que poderemos saber de alguma forma como as coisas se passarão no futuro, para acalmar nossa inquietação diante de uma vida e de uma natureza sob as quais vivemos sentindo-nos infimamente pequenos.

Então, muito mais do que um ano “novo” que se inicia, o fato é que a cada dia, a cada passo, estamos diante do novo, de tudo absolutamente novo, imprevisível, incontrolável, e muitas vezes, desesperadoramente indiferente a nossos desejos e temores.

Contra esse desafio constante que a vida nos oferece, diante do pouco tempo que temos para viver cada instante único, que faz valer infinitamente nossa existência, nós, muitas vezes medrosos humanos, nos defendemos, nos ocultamos nas repetições, nas rotineiras repetições diárias e dos ciclos, tentando não encarar o oceano de possibilidades diante de nós, imprevisíveis apesar de todas as nossas tentativas de contole.

Se a vida fosse realmente controlável, ela teria o valor que lhe damos? Se ela fosse previsível, segundo nossos planos e planejamentos, ela valeria a pena? Se nossa capacidade racional conseguisse envolver toda nossa existência, ela seria digna de ser vivida?

Apesar do frio no estômago que nos dá, ainda parece que a vida que vale a pena ser vivida é essa que desafia nossa coragem a cada passo.

Sendo assim, meus votos de um feliz minuto novo!!!