Pequena chama.

Quem nunca experimentou aquilo que os românticos chamavam de um momento sublime? Mas, refiro-me a algo que, diferentemente dos românticos, não dependa da grandeza ou da imponência daquilo que esteja diante de nós, como elementos da natureza dotados da grandeza, da imensidão, da obscuridade. Penso em algo que se torna sublime, de forma paradoxal, exatamente pela singeleza. Algo que experimentamos que, de tão singelo torna-se único. Algo que é capaz de nos levar ao enlevo. Algo que nos marca de forma tão indelével que é capaz de fugir da voragem do olvido.

Experiências únicas que parecem que só podem ocorrer naqueles momentos em que a natureza se distrai e esquece-se de nós e, assim, podemos experimentar algo do eterno no efêmero. Talvez sejam coisas assim que vão compondo esse algo que chamamos de humano, essa eclosão de ser em um mundo de coisas, uma chama de consciência em uma vastidão de natureza.