Arquivo da categoria: consumo

Ser contemporâneo…

Pobre seres humanos contemporâneos. Cada vez mais solitários, efêmeros e descontínuos, como caixas de cereal na prateleira dos supermercados, sem história, sem narrativa, atraídos  pelas luzinhas piscantes dos “objetos” que lhe são ofertados, que lhes sinalizam o único futuro que podem oferecer -o mesmo deles-, o descarte depois do uso…

Por isso, seu instinto de sobrevivência os põe em constante movimento, para lhes dar a aparência ou a sensação de vida. Mas, é um movimento que se esgota como se esgota cada um deles na sua mera função. Não é um sentido que faz com que se movam, mas uma sensação de cumprir um papel, uma função em uma totalidade que em sua mecanicidade, em seu mover-se em função de si própria, tenta fazer suas peças acharem-se vivas e autônomas, pelo simples fato de moverem-se. Mas, como a caixa de cereal, o movimento de cada um é apenas o movimento de sua utilidade. Que muito rapidamente se esgota. É hora de colocar outra caixa no lugar…

Euforias do consumo

Theodor Adorno, em seu texto “A indústria cultural”, de 1947, em que aborda a situação da cultura -e da própria inteligência humana- frente ao desenvolvimento da indústria que abarcou toda a produção cultural, já alertava sobre a condição necessária em que deve estar e permanecer o “consumidor” para que o sistema todo funcione:

“… a mecanização adquiriu tanto poder sobre o homem em seu tempo de lazer e sobre sua felicidade, determinada integralmente pela fabricação de produtos de divertimento, que ele apenas pode captar as cópias e as reproduções do próprio processo de trabalho. O pretenso conteúdo é só uma pálida fachada…

O prazer congela-se no enfado , pois que, para permanecer prazer, não deve exigir esforço algum, daí que deva caminhar estreitamente no âmbito das associações habituais.

O espectador não deve trabalhar com a própria cabeça; o produto prescreve toda e qualquer reação…” (ADORNO, T. Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p.31)

Quando entramos em certas euforias de consumo, seja de produtos, seja de entretenimento (esportes, grandes lançamentos de filmes, etc., etc.), é hora de levantar a antena e perceber como nos comportamos e somos dirigidos por essas ondas midiáticas. Ao mesmo tempo, as formas mesmas de reação e controle que poderíamos usar para tentar um mínimo que fosse de autodirecionamento de nossas vidas, são estrategicamente afastadas de nosso alcance, cada vez mais.

Olhe ao redor e veja se isso não faz sentido para você…

Euforias do consumo

Theodor Adorno, em seu texto “A indústria cultural”, de 1947, em que aborda a situação da cultura -e da própria inteligência humana- frente ao desenvolvimento da indústria que abarcou toda a produção cultural, já alertava sobre a condição necessária em que deve estar e permanecer o “consumidor” para que o sistema todo funcione:

“… a mecanização adquiriu tanto poder sobre o homem em seu tempo de lazer e sobre sua felicidade, determinada integralmente pela fabricação de produtos de divertimento, que ele apenas pode captar as cópias e as reproduções do próprio processo de trabalho. O pretenso conteúdo é só uma pálida fachada…

O prazer congela-se no enfado , pois que, para permanecer prazer, não deve exigir esforço algum, daí que deva caminhar estreitamente no âmbito das associações habituais.

O espectador não deve trabalhar com a própria cabeça; o produto prescreve toda e qualquer reação…” (ADORNO, T. Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p.31)

Quando entramos em certas euforias de consumo, seja de produtos, seja de entretenimento (esportes, grandes lançamentos de filmes, etc., etc.), é hora de levantar a antena e perceber como nos comportamos e somos dirigidos por essas ondas midiáticas. Ao mesmo tempo, as formas mesmas de reação e controle que poderíamos usar para tentar um mínimo que fosse de autodirecionamento de nossas vidas, são estrategicamente afastadas de nosso alcance, cada vez mais.

Olhe ao redor e veja se isso não faz sentido para você…