Ser contemporâneo…

Pobre seres humanos contemporâneos. Cada vez mais solitários, efêmeros e descontínuos, como caixas de cereal na prateleira dos supermercados, sem história, sem narrativa, atraídos  pelas luzinhas piscantes dos “objetos” que lhe são ofertados, que lhes sinalizam o único futuro que podem oferecer -o mesmo deles-, o descarte depois do uso…

Por isso, seu instinto de sobrevivência os põe em constante movimento, para lhes dar a aparência ou a sensação de vida. Mas, é um movimento que se esgota como se esgota cada um deles na sua mera função. Não é um sentido que faz com que se movam, mas uma sensação de cumprir um papel, uma função em uma totalidade que em sua mecanicidade, em seu mover-se em função de si própria, tenta fazer suas peças acharem-se vivas e autônomas, pelo simples fato de moverem-se. Mas, como a caixa de cereal, o movimento de cada um é apenas o movimento de sua utilidade. Que muito rapidamente se esgota. É hora de colocar outra caixa no lugar…

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