O equinócio e a dinâmica da vida

Não sei se todos sabem, mas o dia de hoje é chamado de “equinócio” de março que, no hemisfério sul, corresponde ao equinócio de outono.
O equinócio é o dia em que os períodos do dia e da noite são exatamente iguais em termos de tempo. Temos a mesma quantidade de tempo com luz e de tempo sem luz. Isso se deve à posição da terra em seu traslado em torno do sol e da sua inclinação em função de seu eixo.
Apesar de nossa cultura ocidental, capitalista e pseudocientífica ser tão distanciada dos simbolismos, datas como a de hoje trazem sempre à reflexão os temas que se referem ao mundo não-material, dos valores e dos significados, das qualidades e virtudes.
Hoje, o dia indica um perfeito equilíbrio, uma igualdade entre luz e trevas, uma eqüipolência. Como se o jogo entre estas forças que nos constituem entrassem num equilíbrio de potências e estabelecessem um breve período de paz e repouso.
Uma mostra de que situação de equilíbrio é possível, é real, mas,ao mesmo tempo, na natureza de tempo-espaço, é transitória, passageira. Um estágio apenas, não uma chegada. Nesta dimensão de imperfeição, o desequilíbrio é necessário para gerar movimento, para gerar dinâmica. Esta dinâmica aparece na própria vida, em especial na vida consciente, que somos nós, os humanos.
O equinócio é uma passagem. Há o equinócio de outono e o de primavera. Quando chegamos ao equinócio de outono, estamos caminhando em direção ao solstício de inverno, que é a noite mais longa do ano. Quando estamos no equinócio de primavera, estamos a caminho do dia mais longo do ano.
Assim, de estágio em estágio, do equilíbrio à dominância ao equilíbrio novamente, a natureza nos indica como funciona nossa própria humanidade, nossa condição de animal autoconsciente. Os ciclos estão aí para nos fornecerem a dinâmica da vida. O que vamos extrair daí, nem a natureza pode definir para nós pois isso já pertence ao âmbito do livre-arbítrio, esse privilégio e essa carga que nos cabe nessa existência.

6 ideias sobre “O equinócio e a dinâmica da vida”

  1. Uma reflexão muito boa para nos darmos conta do quanto vivemos em um imediatismo cego e que nos conduz cada vez mais à nossa zona de conforto. Todas as coisas que foram creadas-manifestas pelo Uno-Creador, são símbolos que pretendem nos ajudar a despertar para a grande jornada rumo ao Infinito. Algo que ainda estamos infinitamente longe de ter a devida consciência.

    Um grande abraço

    Rodrigo Gimenes

  2. e estes grandes ciclos, Rodrigo, ainda servem como despertadores para nós. Mas, na linha do você disse, entramos numa espécie de transe, de sono embalados por uma falsa percepção do presente temporal, perdendo também a perspectiva do presente eterno.
    Assim, em vez de despertarmos através do ciclos, nos deixamos embalar como uma criança no berço.

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