Sobre a violência no Brasil

Com relação à violência cotidiana, que assistimos acontecer, ou que nos acontece de alguma forma, parece-me que em todas as instâncias, nós, brasileiros, estamos adotando a atitude mais prejudicial, isto é, a de justificar e não punir legalmente os atos de violência: o criminoso que rouba, agride, mata, é justificado devido à sua condição social; os cidadãos que agem por conta própria, fazendo justiça com as próprias mãos, são justificados pela ausência do Estado ou pela leniência das leis e do judiciário; torcedores (serão?) agridem e matam outros, dentro e fora dos estádios, e são acobertados pelos dirigentes dos clubes; policiais são violentos e são justificados pelas instâncias do estado; manifestantes são violentos e mesmo matam outros cidadãos, são justificados em nome do “direito democrático de se manifestar”; manifestantes usam dinheiro público para organizar quebra-quebra e são recebidos pelos governantes para “dialogar”; políticos agridem física, moral, legal, política e financeira/fiscalmente o país todos e ninguém os pune, ou a própria classe política os apóia e protege; empresários violentam o país com sistemas corruptos de obtenção de contratos e são acobertados por políticos e pelo sistema legal; pessoas ricas cometem atos de violência e se protegem usando do dinheiro e do matagal da burocracia legal; pessoas no trânsito, de todas das classes, cometem as maiores atrocidades contra outros motoristas, motociclistas e pedestres, e conseguem se safar; agressões são feitas em nome da intolerância de gênero, racial, social; e etc,…

Não adianta criminalizar mais nada. O que me parece necessário é que todos nós, toda a sociedade brasileira, adotemos uma postura única: não admitir nenhum tipo de violência e fazer com que a lei seja cumprida; que o Estado, que é nosso instrumento de controle, cumpra seu papel e puna os cidadãos violentos. É preciso que paremos de justificar os tipos de violência, seja qual for o tipo. É preciso que admitamos que a lei que declara a violência como um crime seja cumprida e válida para todos.
A nossa complacência com a violência nos faz cúmplices dela e dos crimes cometidos.

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